Júnior Campos
Saúde

Médico diz lockdown mal planejado aumenta a procura de leitos de UTI

Numa entrevista nesta segunda-feira (29), o médico Edmundo Júnior, que atua como plantonista no Hospital Eduardo Campos (HEC) em Serra Talhada e também faz parte da equipe clínica do hospital Santa Marta, no Centro da cidade, disse que o maior desafio neste momento das autoridades é convencer a população a compreender, realmente, a importância de um lockdown bem planejado de 15 dias.

“A gente tem que procurar, juntamente com as esferas municipais, estaduais e federais, como a gente vai conseguir batalhar, se continuar nesse ritmo de contágio de pessoas, como a gente vai conseguir manter tanto os insumos [remédios para intubações], como os espaços [leitos de internamento]. Eu sei que, do ponto de vista observacional, o que a gente vê é que os países que adotaram o lockdown bem planejado e bem compreendido pela população, com 15 dias do isolamento, se consegue realmente diminuir a procura dos leitos de UTI, entendeu? O que acho difícil agora é convencer a nossa população, depois de tanto tempo em isolamento e mal planejado, é como fazer isso novamente e de forma bem planejada, isso é que é difícil”, avaliou.

Dr. Edmundo Júnior comentou ainda o drama dos pacientes que estão sendo internados no Hospital Eduardo Campos e o clima de tensão enfrentado por todos os profissionais de saúde neste momento em que a taxa de óbitos por Covid-19 vem crescendo acompanhado por internamentos de pessoas jovens com quadros cada vez mais graves. A situação piora ainda mais diante o atual cenário: quando o Hospam, o HEC e o Hospital Santa Marta já atingem o nível máximo de ocupação de leitos de UTI.

Em março de 2020, a doença se apresentava de uma forma, em março de 2021, se apresenta de outra, agredindo cada vez mais a células renais e pulmonares, e também mudou o perfil de pacientes, não é que não chega pacientes mais velhos, mas agora está chegando pacientes jovens que é o que nos preocupa, porque a gente está tendo maior dificuldade em tirar esses pacientes na ventilação mecânica, ele passa mais tempo na UTI, por mais tempo usando remédios e nossos recursos eles são finitos, isso quando a gente amplia para um horizonte maior, e a gente vê assalto de medicamentos, falta de espaço… Isso traz um terror dentro do ambiente em que trabalhamos, a gente vê um futuro de catástrofe generalizada, isso nos assusta”, disse Dr. Edmundo Júnior.

Fonte: Farol de Notícias

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