A vereadora Juliana Tenório (Solidariedade) usou a tribuna da Câmara Municipal de Serra Talhada, nesta quarta-feira (02), para se defender da decisão da Justiça Eleitoral, que cassou sua chapa e determinou a perda de seu mandato por fraude na cota de gênero. Em um discurso emocionado, Juliana contestou as críticas que tem recebido e denunciou uma situação de intimidação dentro do próprio Legislativo.

A decisão foi proferida pelo juiz Marcus César Sarmento Gadelha, da 71ª Zona Eleitoral de Pernambuco, que considerou que o partido Solidariedade inscreveu candidaturas fictícias para preencher a cota mínima de 30% de mulheres, sem que houvesse real intenção de disputa. Com isso, além da cassação da chapa, a Justiça declarou a inelegibilidade do presidente municipal da sigla, Waldir Tenório Junior, e das candidatas Jéssica Bianca e Ana Michele de Barros Silva.

Diante da situação, Juliana rebateu as críticas sobre sua representatividade feminina na política.

“Se eu sou mãe, sou mulher, sou empresária e assumo um cargo de vereadora para entregar o melhor para Serra Talhada, eu queria entender que público eu represento. Ser mulher é enfrentar desafios diários, e isso não muda para mim nem para outras que vivem essa realidade”, desabafou.

“Me senti intimidada”

A vereadora relatou ainda um episódio de possível intimidação dentro da Câmara. Segundo Juliana, um grupo esteve em seu gabinete e questionou sua assessora sobre a cassação do mandato, insinuando que sua situação estava indefinida.

“Essa semana, eu me senti intimidada. Foram ao meu gabinete, minha assessora estava sozinha, e perguntaram se estava tudo bem. Depois, insinuaram que ‘pra ela não estava muito bem, porque Juliana pode perder o mandato’. Quando apareceu um outro colega, a conversa mudou”, revelou.

Juliana não citou nomes, mas reforçou que não pretende recuar e que está disposta a seguir lutando.

“Não vamos abaixar a cabeça nesse momento. Sigo firme e forte. Hoje eu posso estar um pouco emotiva, mas eu não sei se são fãs ou são haters, os ataques que eu sofro na internet sem pessoas conhecerem a minha história, sem pessoas conhecerem quem é a Juliana de verdade.”

Apesar da indignação, a vereadora afirmou que respeita a decisão judicial.

“Nós respeitamos a decisão do Judiciário.”

A decisão da Justiça Eleitoral ainda cabe recurso, e Juliana poderá tentar permanecer no cargo enquanto aguarda o julgamento da apelação.

 

 
 
 
 
 
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